Desenho arquitetônico: o que é e por que você precisa saber sobre

indicação de corte

Em arquitetura, o desenho é a principal forma de expressão. Ele é o instrumento utilizado para comunicar as ideias do projetista para o construtor, que o usará para materializar o objeto idealizado. Como a confecção de um edifício é uma tarefa que envolve diversos profissionais, um projetista que não saiba apresentar bem suas ideias e colocá-las de forma clara no papel, acaba com uma construção diferente do que ele havia imaginado no início. Quando isso acontece, normalmente os resultados são bem desagradáveis. Além disso, pode ser valoroso para qualquer pessoa que pretenda contratar um arquiteto, tenha alguma noção sobre a leitura e interpretação de desenhos arquitetônicos. Afinal, é importante conseguir avaliar o serviço que irá receber. Pensando nisso, escrevi este artigo afim de ajudar qualquer pessoa que queira saber um pouco mais sobre como arquitetos fazem para apresentar suas ideias nos desenhos.

O que é desenho arquitetônico?

Podemos chamar de Desenho Arquitetônico qualquer desenho que sirva para representar um objeto arquitetônico, sejam plantas baixas, elevações, perspectivas, ou mesmo um desenho à mão livre. Além disso, o desenho pode ter diversos propósitos. Ele pode servir para apresentar uma ideia, um conceito, gerar uma emoção, ou mesmo servir como um manual de como um edifício deve ser construído. Vejamos quais são os tipos de desenho arquitetônico a seguir.

Tipos de desenho arquitetônico

Basicamente, podemos dividir as principais técnicas de representação e de desenho arquitetônico em dois tipos: o desenho gráfico e o desenho técnico. A seguir, vou explicar melhor um pouco sobre cada um deles.

Desenho gráfico

Desenho gráfico
Exemplo de perspectiva ilustrativa

O desenho gráfico, também conhecido por desenho artístico, tem a principal função de comunicar ideias, passar sensações e emoções, estimulando a imaginação do leitor que vai ter contato com o projeto. Este tipo de desenho geralmente é representado por perspectivas cônicas, que simulam a maneira que nossos olhos observam o espaço, ou através de perspectivas isométricas, que são representações geométricas com ângulos pré estabelecidos, e utilizando as mesmas dimensões do projeto.

 

 

perspectiva cônica
perspectiva cônica
perspectiva isométrica
perspectiva isométrica

 

 

 

 

 

 

 

 

Também é possível inserir nessa categoria, os desenhos de diagramas e explicações gráficas que auxiliem na apresentação do projeto, ou de parte dele, como o desenho de algum detalhe.

Detalhe das peças
Exemplo de Detalhe das peças

 

Desenho técnico

exemplo de projeto técnico
Exemplo de ilustração de um projeto técnico

O desenho técnico é um desenho que deve ser preciso. Tem por finalidade descrever e representar objetos detalhadamente, para que estes possam ser confeccionados com fidelidade. Como mencionado anteriormente, construir um edifício hoje é uma tarefa feita por diversos profissionais, e todos eles devem ter a mesma interpretação do desenho. Para que haja uma padronização de desenho, foram criadas normas técnicas de representação gráfica de projetos. Essas normas estipulam uma linguagem comum entre o projetista e a pessoa que lê o projeto. Assim, o mesmo desenho feito pelo arquiteto, pode ser facilmente lido e entendido por um engenheiro, por um mestre de obras, por um técnico em edificações, e até mesmo por um fornecedor de materiais de construção, por exemplo. Existem muitas regras sobre como um desenho arquitetônico técnico deve ser representado, mas basicamente, no Brasil, nos baseamos na NBR 6492 – Representação de projetos de arquitetura.

O Desenho no projeto arquitetônico

Um projeto arquitetônico completo deve conter desenhos técnicos e gráficos, tantos quanto necessário para o correto entendimento e leitura adequada do projeto. Dentro do tipos de representação do desenhos técnicos de arquitetura utilizados na confecção do projeto arquitetônico, podemos destacar os seguintes: Plantas, cortes, fachadas, podendo ter variações entre estes. Vejamos o que é cada um e suas principais características.

Plantas

Plantas são representações de topo do projeto, ou seja, vistas de cima. Os principais tipos de planta que utilizamos em arquitetura são: Planta de localização, Planta de cobertura, Planta de Situação e Plantas Baixas dos pavimentos. Atualmente, as plantas compõe o documento principal do projeto arquitetônico, pelo fato de serem desenhos que trazem mais informações sobre o projeto do que os outros desenhos bidimensionais. Além das informações que constam em todas as plantas, como por exemplo a indicação de norte, escala, curvas de níveis e cotas gerais, existem algumas finalidades específicas para cada tipo de planta.

Planta de Situação/Localização

planta de situação
Exemplo de planta de situação

A planta de situação tem a principal finalidade de situar o terreno em relação ao seu entorno( ruas, lotes vizinhos, etc. ). É muito comum também associarmos a planta de situação com planta de localização. Embora a NBR 6492 não aborde nenhuma planta intitulada localização, essa planta teria a função de informar a projeção da edificação no terreno.

Implantação

A planta de locação, mais conhecida como implantação, tem a principal função de demonstrar a locação da edificação no terreno. Ela compreende o projeto como um todo, contendo informações sobre movimentação de terra, arruamento, entre outros, além da adequação do projeto às legislações urbanas que incidem sobre o terreno proposto. Além disso, a planta de implantação deve indicar pelo menos os acessos do pavimento térreo, demonstrando como este se relaciona ao terreno.

Planta de Cobertura

planta de cobertura
Exemplo de planta de cobertura

A planta de cobertura tem a finalidade de demonstrar como se configura a cobertura da edificação. Nela, constam informações sobre o número de águas, lajes impermeabilizadas, o caimento dos telhados, abas, fosso de luz, localização da caixa d’água, etc.

Planta Baixa

planta baixa
Exemplo de planta baixa

As plantas baixas são vistas superiores da edificação em um plano de corte localizado a 1,50 m do nível do piso em referência. A norma também prevê que a altura deste corte pode ser variável, dependendo da necessidade em demonstrar os elementos considerados importantes para a compreensão do projeto. Pelo fato de serem plantas mais complexas, normalmente as plantas baixas são ilustradas em escalas maiores, como 1/50, contendo informações sobre níveis, orientação solar, cotas, acessos, áreas dos ambientes, materiais utilizados, dimensões de elementos significantes e até mesmo indicação do sistema estrutural adotado.

Cortes

Cortes, em desenho arquitetônico, são representações de vistas ortográficas de uma secção da edificação. É mais fácil explicá-los como realmente um “corte” na edificação, que é visto de lado. Na imagem a seguir, vemos um exemplo de como devemos ler um corte:

indicação de corte

Temos uma indicação do local onde o corte vai passar na edificação. Agora imaginemos como se a edificação realmente fosse cortada por essa linha de indicação. O resultado seria próximo ao da imagem abaixo:

corte

Os cortes são elaborados para auxiliar em componentes que sugerem alturas dos elementos da edificação e que não podem ser vistos apenas na representação em planta baixa. Por esse motivo, sua localização deve ser estratégica, afim de demonstrar elementos que são importantes para o projeto. Em geral, são representados no mínimo, dois cortes de uma edificação. Mas seu número pode aumentar gradativamente, conforme aumenta a complexidade do projeto. Devem ser feitos tantos cortes quanto o necessário para conseguir representar adequadamente a edificação.

Exemplo de corte
Exemplo de corte

Fachadas ou Elevações

As fachadas ou elevações são vistas ortogonais que visam demonstrar as características externas da edificação. Normalmente, as fachadas são acompanhadas de informações relativas aos materiais utilizados para compor a edificação, mas não apresentam cotas ou dimensões (essas informações são fornecidas pelos cortes e plantas). É possível ainda, por ser uma representação também gráfica, utilizar elementos tais como sombras, vegetações, figuras humanas, etc.

Exemplo de fachada
Exemplo de fachada

Desenho arquitetônico nos dias de hoje

Hoje a maior parte dos desenhos arquitetônicos são feitos através de softwares. O desenho feito pelo computador não se limita apenas a mudança instrumental, mas afeta conceitos e até a própria maneira de conceber um projeto. Com a utilização e avanços das tecnologias CAD e BIM, um projeto hoje contém muito mais informação sobre o edifício que se quer construir do que havia no início da implementação desses sistemas. No projeto concebido virtualmente, o desenho impresso passa a ser apenas uma parte de uma informação maior, o que aumenta as potencialidade de uso do mesmo projeto, pois além de projetos mais complexos, são produzidos mais rapidamente. Quem sabe no futuro, os modelos tridimensionais de edifícios criados por computador possam até ser impressos em escala real (escala 1:1) por máquinas 3D , revolucionando a forma de se construir.

 

Please follow and like us:
0

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *