Dica de livro: As cidades invisíveis – Ítalo Calvino

Cidades Invisíveis

“As cidades invisíveis” é uma obra do escritor italiano Ítalo Calvino(Embora ele tenha nascido em Cuba, era filho de italianos e sua infância e formação foram na Itália). Apesar de não ser um livro específico da área de Arquitetura e Urbanismo, traz consigo poderosos insights e proporciona várias reflexões acerca das cidades e do modo como as utilizamos. É um livro de cabeceira, daqueles que você deve comprar, ler e deixar sempre ao lado da cama para reler de vez em quando. Quer saber mais? Então continue lendo!

Sobre o Livro

O livro narra diálogos entre o grande viajante Marco Polo e o Imperador Kublai Khan. Nesses diálogos, Marco Polo conta as histórias de sua viagem pelas terras do imperador, uma vez que o mesmo não pode pessoalmente visitar toda extensão do seu domínio. No total, são 55 cidades apresentadas, todas com nomes de mulheres, agrupadas em 11 tipos. São eles: As cidades e o nome; As cidades e a memória; As cidades e o desejo; As cidades e os símbolos; As cidades delgadas; As cidades e as trocas; As cidades e os olhos; As cidades e os mortos; As cidades ocultas; As cidades contínuas; As cidades e o céu. Cada cidade é apresentada como um sub-capítulo, o que torna a leitura leve, pois você pode ler duas ou três cidades por dia. Não é nem necessário ler na ordem apresentada pelo livro, pois cada cidade é individualmente referida em cada sub-capítulo. Além disso, o livro apresenta considerações interessantes sobre como as cidades podem ser descritas através de uma narrativa, no lugar de mapas.

As cidades

A descrição das cidades é regada de figuras de linguagem(principalmente metáforas), afinal, como explica Marco Polo, “Você sabe melhor do que ninguém, sábio Kublai, que jamais se deve confundir uma cidade com o discurso que a descreve. (…) se devo descrever a operosidade dos habitantes, falo das selarias com cheiro de couro, das mulheres que tagarelam enquanto entrelaçam tapetes de ráfia, dos canais suspensos cujas cascatas movem as pás dos moinhos: mas a imagem que essas palavras evocam na sua iluminada consciência é o movimento que leva o mandril até os dentes da engrenagem repetido por milhares de mãos milhares de vezes nos tempos previstos para cada turno.”(p. 27).

Cada cidade apresenta certas peculiaridades. Normalmente existe alguma característica principal que envolve a cidade, e que rege e condiciona a linha de raciocínio de sua descrição. Por exemplo, Otávia é uma cidade feita como uma cidade-teia-de-aranha.

“Existe um precipício no meio de duas montanhas escarpadas: a cidade fica no vazio, ligada aos dois cumes por fios e correntes e passarelas. Caminha-se em trilhos de madeira, atentando para não enfiar o pé nos intervalos, ou agarra-se aos fios de cânhamo. Abaixo não há nada por centenas e centenas de metros: passam algumas nuvens; mais abaixo, entrevê-se o fundo do desfiladeiro.”(Calvino, p. 32).

Nesse caso, as próprias conexões da cidade criam seu encantamento e conduzem o desenrolar da descrição da cidade. Assim são apresentadas todas as cidades, cada uma com suas peculiaridades, seus encantamentos, sua própria fantasia.

 

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