O que é BIM?

boneco BIM

A primeira coisa importante que devemos entender, e que boa parte das pessoas confundem, é que o termo BIM deve ser visto como um conceito, e não uma tecnologia. BIM é um termo usado para descrever a abreviação de Building Information Model. A tradução mais aproximada para este conceito seria um modelo de informação da construção. Basicamente, é um modelo virtual tridimensional ao qual se atribuem informações de características físicas de uma construção. Portanto, a principal característica de um software BIM (e aqui estamos falando de tecnologias que utilizam o conceito BIM) é a de reunir dois tipos de informações em um único modelo tridimensional, são elas:

1) As  informações geométricas, que dizem respeito às características espaciais do produto, como forma, posição e dimensões;

2) As informações não-geométricas, que incluem informações relativas à natureza dos materiais utilizados, tais como resistência, peso, e até seu custo.

Posto de outra forma, se anteriormente na prancheta ou nos sistemas CAD (computer aided Design – Desenho auxiliado por computador), os arquitetos tinham que desenhar a obra através de um sistema de representações, para que a obra fosse materializada fisicamente, agora com o BIM, é como se a obra em si fosse construída virtualmente. Dito isso, você já deve estar imaginando as inúmeras vantagens que este sistema trouxe para a indústria da construção civil.

A Origem do BIM

Pracheta e CAD
Pracheta e CAD

O ingresso da computação gráfica na arquitetura ocorreu na década de 70, e revolucionou o processo de criação e de projeto de arquitetura. Ná época, o sistema CAD(computer aided Design – Desenho auxiliado por computador) foi uma das inovações mais importantes. O sistema CAD computadorizava a atividade do arquiteto na prancheta, o que possibilitava que o arquiteto pudesse fazer inúmeras cópias de um mesmo desenho, além de facilitar possíveis alterações.

A partir do sistema CAD, houveram evoluções para a modelagem geométrica, onde foi possível modelar tridimensionalmente um projeto. Apesar de já ser uma grande evolução, esse sistema trabalhava de forma independente ao desenho arquitetônico, pois ainda era preciso desenhar cortes, plantas, fachadas, etc, paralelamente ao modelo tridimensional, mas em duas dimensões. Além disso, o modelo tridimensional meramente geométrico servia basicamente para ilustração visual do projeto. A evolução posterior dessa tecnologia alia a modelagem geométrica e as informações contidas na obra, gerando desenhos técnicos a partir do modelo tridimensional, que é o que conhecemos hoje como BIM.

O origem da utilização deste conceito, entretanto, provem do campo da indústria de produtos, onde a produção em escala faz com que se possa poupar milhões evitando erros de projeto. A arquitetura adaptou para a construção civil este sistema devido ao aumento da complexidade dos processos de construção, que gerou a necessidade de inserir este novo modo de concepção de projeto.

O BIM no projeto

BIM e a construção virtual
BIM e a construção virtual

Como já disse anteriormente neste artigo, enquanto que a implementação dos sistemas CAD apenas computadorizou a prática do desenho já realizado anteriormente nas pranchetas, o BIM propiciou a possibilidade de conceber um projeto construíndo seu modelo parametrizado. Isso significou uma mudança na maneira em como os projetistas devem pensar o projeto, ou seja, uma mudança de cultura projetual.

Existe muita resistência e muita crítica a essa mudança, embora ela não seja necessariamente algo ruim, mas é necessário que sejam levados em conta alguns fatores, para que a qualidade de projeto não perca espaço para a produção regida pelas ferramentas de trabalho. Isso porque a implementação do BIM faz com que os arquitetos projetistas tenham que obter maior conhecimento projetual referente a tecnologia da construção para a confecção de um projeto, uma vez que os erros e incompatibilidades das soluções ficam evidentes no processo de projeto. Por esta razão, arquitetos que não tem domínio dos aspectos construtivos ficam limitados, criando uma crença de que estes sistemas BIM são limitadores criativos do projeto.

Além disso, o sistema BIM deve contar também com fatores organizacionais, pois o uso do BIM requer uma integração diferente do que ocorre nos processos de projeto em sistemas que utilizem CAD. A integração da equipe influenciará diretamente nos resultados finais obtidos, tornando-se essencial um efetivo gerenciamento de seleção para a formação de uma equipe bem integrada.

O uso de modelos tridimensionais permite que a compreensão do projeto seja acessível a todos, não sendo restrita apenas àqueles que conhecem as simbologias e representações de desenho. Isso facilita o entendimento do cliente e do usuário final, e constribui para a tomada de decisões mais acertadas às suas necessidades. Se bem empregado, o BIM garante, além de maior qualidade para o edifício, um menor custo e redução do tempo de projeto, pois além da visualização da volumetria, esse sistema permite que se estime custos, quantifique e qualifique o material aplicado, observando e ajustando conforto ambiental e outros itens projetuais, além de facilitar a comunicação entre os diversos profissionais integrantes do processo de projeto. Dessa forma, se reduzem redundâncias e ineficiencias no projeto.

Apesar disso, ainda é grande a quantidade de projetos de edifícios que é desenvolvida pelo sistema CAD, tradicionalmente com desenhos 2D e documentos de texto. Os motivos mais prováveis para essa resistência é em conta do tempo do processo de aprendizagem, além de falta de tempo, os recursos financeiros do escritório e ainda algumas deficiências dos próprios softwares BIM, que ainda necessitam de maior aprimoramento.

No caso do Brasil, as despesas do processo de implementação dessa nova tecnologia são normalmente arcados pelo próprio escritório, que sofre pela desvalorização da atividade de projeto. Os escritórios necessitam despender altos investimentos em equipamentos, sofwares e treinamento para se adequar a tecnologia.

Além disso, apesar de já estar a algum tempo no mercado, o número de profissionais utilizando efetivamente as ferramentas BIM é restrito, o que ocasiona em pouco conhecimento e isolamento daqueles que investiram na tecnologia, que pode acarretar o uso incipiente da totalidade de suas potencialidades.

Outra questão pertinente a ser tratada é em relação aos direitos autorais do BIM, uma vez que o projeto confeccionado por diversos profissionais, torna necessária a formulação de contratos que garantam os direitos autorais dos projetistas, mas que permitam novas informações por outros participantes, no decorrer de possíveis modificações da execução da obra.

O Futuro do BIM

BIM

A tendência é que cada vez mais haja uma integração entre planejadores, projetistas, construtores e fornecedores dentro da plataforma BIM. Já existem fornecedores que disponibilizam seus catálogos num formato neutro, de forma que fosse possível baixar os objetos da internet com todas as especificações incluindo-os diretamente no projeto. Com a disponibilidade dos componentes pelos fabricantes, será possível reduzir o tempo gasto pelos projetistas com a modelagem, permitindo a inserção de objetos mais detalhados e alinhados aos produtos efetivamente disponíveis no mercado. Além disso, os fabricantes seriam responsáveis pela consistência das informações fornecidas que poderiam estar sendo atualizadas constantemente.

Outra tendência do uso do BIM é o do surgimento de novos sofwares complementares que são ligados à estrutura, instalações prediais, planejamento da construção e diversidades, que poderão se comunicar com o modelo arquitetonico.

Vantagens

Conheça algumas vantagens de aderir ao sistema BIM:

1) Maior possibilidade de simulações;

2) Geração automática de quantitativos, permitindo planejar, acompanhar, organizar e estimar custos;

3) Diminuição de erros de desenho no processo de projeto;

4) Facilidade na geração de detalhes e informações do projeto;

5) Diminuição de carga horária e prazo de entrega por projeto;

6) Alterações no projeto geram atualizações automaticamente nas planilhas de custos, nas plantas baixas e elevações, aumentando significativamente a qualidade do projeto final;

7) Alguns softwares BIM, como o Archicad, permitem que uma equipe trabalhe em um mesmo projeto simultaneamente, no mesmo arquivo, evitando conflito de incompatibilidade entre os diversos projetos de arquitetura e engenharia;

8) Quando bem implementado, o BIM fornece aumento de produtividade e qualidade nos processos do projeto à construção;

9) O empreendedor poderá obter informações mais estruturadas sobre a edificação que vai construir, o que o auxiliará na tomada de decisões a respeito do controle da edificação, antes que ela seja construída, representando redução de custos e riscos;

10) Facilidade de visualização do projeto, possibilidade de criação de diversos cortes sem grandes dificuldades;

11) Adequação dos desenhos em variadas escalas;

12) Maior padronização na forma de representação;

13) Mais informações sobre o produto final gerado;

14) Unificação dos projetos em um único software. Se antes o modelo tridimensional era feito em um software e os desenhos bidimensionais em outro, a plataforma BIM permite que todo o projeto seja desenvolvido em um único software, tendo até pluguins de renderização disponiveis para complementar o software;

Desvantagens

Embora o sistema de modelagem em BIM possa estar já a algum tempo no mercado, ainda é comum ver arquitetos e estudantes de arquitetura que utilizam os sistemas CAD, podendo surgir custos para a implementação desse novo sistema. Além disso, podemos citar as seguintes desvantagens:

1) Carência de profissionais especializados.

2) Investimento inicial e tempo para a implementação do sistema. Os softwares não são nem um pouco baratos, e é necessário tempo e investimento em cursos para treinamento da equipe.

3) Incompatibilidade com parceiros de projeto que não utilizem a mesma tecnologia (calculistas, analistas, instaladores, etc.);

4) Possíveis investimentos em equipamentos para suportar a capacidade de processamento de softwares BIM;

5) Demora na confecção de componentes não padronizados;

6) Escassez de bibliotecas, por conta das empresas não disponibilizarem componentes pré-moldados e objetos de seus catálogos para download;

7) Tamanho dos arquivos gerados costuma ser maior que de arquivos de desenho (CAD);

8) Deficiências dos próprios softwares. Alguns softwares BIM ainda não supriram todas barreiras para a geração de projetos. e não é raro acontecer de projetos hidráulicos, elétricos acabarem sendo feitos em programas CAD.

Quero Implementar o BIM. O que devo fazer?

projeto BIM
Implementação do BIM

A primeira decisão a se tomar é a da escolha de qual software é mais adequado para seu escritório. Existem diversos softwares BIM no mercado, e essa escolha deve ser feita. Não é meu objetivo dizer qual é o melhor ou pior, nem mesmo indicar um, pois essa escolha é muito particular. Mas podemos fazer algumas considerações pertinentes sobre o que há disponível no mercado.

Compatibilidade entre profissionais: Não é segredo que a maior utilização no Brasil é de softwares da Autodesk. Portanto, sua escolha deve levar em consideração softwares que possam importar e exportar arquivos compatíveis com os sistemas da autodesk.

Curva de aprendizado: alguns softwares BIM são mais intuitivos que outros, alguns mais complexos.

Limitação do Software: alguns softwares BIM tem limitações quanto a sua utilização. Tenha certeza de que o que você vai escolher é compatível com

Custos: considere os custos envolvidos na implementação da nova tecnologia. Verifique o preço de implementação dos softwares, os computadores necessários e o custo de suas futuras atualizações.

Disponibilidade de profissionais: verifique se existem profissionais qualificados no mercado, ou se você terá que investir em aprimoramento


 

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